Blogue de apoio ao "Boca de Incêndio"

terça-feira, 20 de julho de 2010

Passos em volta da memória

Tudo se passa no momento em que deflagrou a crise dinástica aberta com a morte de D. Fernando, que precipitou a crise de 1383-85. Numa altura em que muitas praças fortes e grande parte da nobreza (sobretudo linhagens do Norte) e da hierarquia religiosa já tinham tomado o partido do Rei D. João de Castela. E que, embora juridicamente a questão da sucessão estivesse muito bem defendida por João das Regras, o Mester de Avis ainda não tinha as suas forças militares organizadas. Ora, aproveitando a maré, o Bispo da Guarda, D. Afonso Correia, convidou o monarca castelhano a entrar triunfalmente na cidade. Para tanto, convenceu-o de que os dignitários locais o apoiariam ou seria muito fácil convencê-los a tal. Confiante, o rei entrou na Guarda, cujas portas foram abertas pelo Bispo. A instâncias de quem o rei tratou logo de aliciar os alcaides e nobres das redondezas, que responderam com prontidão. Todos... Excepto o "nosso" alcaide. Que embora fosse cumprimentar o rei, imagino que por imperativo protocolar, negou-se a entregar asa chaves do castelo e franquear o acesso a este poderoso baluarte e chave do Reino. diante de tal recusa, D. João não teve outro remédio senão ir bater a outra freguesia. O "valoroso" bispo foi substituído pouco tempo depois...