Blogue de apoio ao "Boca de Incêndio"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Escolhas Ipsilon

Uma Grande Razão, Mário Cesariny
Assírio & Alvim

Pais e Filhos, Ivan Turguéniev
Relógio d’Água

A Modernidade, Walter Benjamin
Assírio & Alvim

Memórias, Raymond Aron
Guerra & Paz

A Morte de Theo Van Gogh, Ian Buruma
Presença

Na Praia de Chesil, Ian McEwan
Gradiva

A Estrada, Cormac McCarthy
Relógio D’Água

Metamorfoses, Ovídio
Cotovia

Tudo o que sobe deve convergir, Flannery O’Connor
Cavalo de Ferro

As Benevolentes, Jonathan Littell
Dom Quixote

Século Passado, Jorge Silva Melo
Cotovia

O que foi passado a limpo. Obra Poética, Armando Silva Carvalho
Assírio & Alvim

Colecção da Obra Essencial de Pessoa, Edição de Richard Zenith
Assírio e Alvim

Todo-o-Mundo, Philip Roth
Dom Quixote

Poesia 1963/1995, Vasco Graça Moura
Quetzal

Aprender a rezar na Era da Técnica, Gonçalo M. Tavares
Caminho

Shakespeare. A Biografia, Peter Ackroyd
Teorema

Orlando Furioso, Ludovico Ariosto
Cavalo de Ferro

A Rússia de Putin, Anna Politkovskaia
Pedra da Lua

Personas Sexuais, Camille Paglia
Relógio d’Água

Gente Independente, Halldór Laxness
Cavalo de Ferro

Balada para Sérgio Varella Cid, Joel Costa
Casa das Letras

Como falar dos livros que não lemos?, Pierre Bayard
Verso da kapa

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Crónica de Rui Ramos

(cont.) E depois, há o medo do tubarão. Sim, leram bem: o tubarão. Porque inesperadamente, castigando os seus adversários, Menezes diz isto: “Há dois anos, algures no deserto de Omã, deitado ao luar a olhar para as estrelas, tive tanta pena destas pseudo-elites liderantes do meu Partido, cujo único deserto a que chegaram nunca está a mais de dez quilómetros da sua casa, que nunca tiveram frio à noite no deserto, que nunca tiveram medo de um tubarão...” [...] Não quero ridicularizar Luís Filipe Menezes. Mas não me importaria de ridicularizar esta imagem de Indiana Jones à moda de Gaia que Menezes pensa que lhe convém dar de si próprio. Ou de ridicularizar os conselheiros que o deviam demover destes lapsos. E tudo isto merece comentário, porque há na história do tubarão mais do que ingenuidade ou distracção: há uma estratégia política. [...] Eis a política reduzida a um jogo de espelhos. Peter Schlemil perdeu a sombra. No caso dos nossos políticos, ficaram as sombras e desapareceram as pessoas. E as sombras escondem muita coisa. [...] Talvez por isso, temos visto Menezes a fazer o possível por não se definir: a ameaçar e a retirar as ameaças, a dizer e a desdizer-se, a ser uma coisa de manhã e outra à tarde. Assim vai criando uma imagem de movimento sem precisar de sair do mesmo sítio. Talvez lhe baste ser o suplente de Sócrates. Ousaria ser mais, sem o trauma do tubarão? O do Spielberg era de borracha. E o seu, dr. Menezes? Se era amarelo e foi a sua mãe que o pôs na banheira, não devia ter tido tanto medo.»

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A esquerda bloqueada

(cont.)... De resto, se não me engano, é precisamente em alguns regimes islâmicos, de que a esquerda niilista tanto gosta, que existe pena de morte para os homossexuais. O presidente iraniano - outro herói da esquerda esquizofrénica, só porque ousou afrontar a sede de todo o Mal, os EUA - decretou mesmo que não existem homossexuais no seu país!... Todavia, Daniel Oliveira no seu artigo pugna pelo fim das anedotas com a "panaleiraje". Portanto, nos países "amigos" podem-se matar, tudo bem. Aqui, não se podem contar anedotas sobre eles!... Perceberam? O delírio não tem limites para esta gente... Ficam pois avisados: da próxima vez que contarem uma anedota que aluda a práticas de "homens chexuais, je, je", têm a Inquisição Espanhola à porta (como no celebérrimo sketch dos Monthy Python), com o Daniel y sus muchachos pedindo contas ao prevaricador. É que as coisas andam mal para os lados do Bloco de Esquerda. Que se tornou uma espécie de muleta do PS. Já perceberam que "não vão lá", pelos meios normais em democracia": eleições, credibilidade, seriedade, ampliação da base de apoio, entrada no mundo sindical. Recorrem então às causas fracturantes. As tais que nunca exigem muito trabalho: são ideologicamente inatacáveis, a opinião pública está "receptiva", a comunicação social "adora, sei lá", os partidos de esquerda ficam amarrados ao tema, durante a discussão na AR. Eis o melhor da tal esquerda que se posiciona na política como num show mediático. Não se interessa realmente pela realidade humana que diz defender. Só lhe interessa que a opinião pública acredite que sim. E que está pronta a negar qualquer evidência de barbárie, de genocídio, de fascismo teocrático, de atropelos aos direitos humanos, desde que provenientes de regimes hostis à democracia ocidental, o maior mal de todos, segundo ela. Como exemplo, veja-se o guru desta esquerda de cabeça perdida, Noam Chomsky: 1º apoiou um historiador revisionista francês que negou a existência do Holocausto. A única explicação é que estas luminárias julgam que a "desnazificação" tem que ser feita no Ocidente, e nos EUA em particular. Quando se deparam com o verdadeiro nazismo, dão-se mal, porque para eles já deixou de ser o mal absoluto. Substituído, na sua agenda, como se sabe, pelo "capitalismo hegemónico"; 2º Negou a existência das atrocidades do regime de Pol Pot e seus Kmers Vermelhos no Cambodja. Tendo afirmado que se limitaram a dar umas resposta aos bombardeamentos americanos, durante a guerra no país vizinho; 3º Negou a limpeza étnica praticada pelos nacionalistas sérvios na Bósnia. Chegou mesmo a corroborar que as imagens de Sbrenica e de outros campos de concentração, os relatos dos sobreviventes e os relatórios das autoridades, ONGs e jornalistas não passavam de uma orquestração do governo bósnio para enganar o Ocidente. O BE precisa de causas como do pão para a boca. A próxima será, é claro, a "homofobia", o casamento entre homossexuais, etc. Muito ruído, como é de prever. A ideia é, obviamente, procurar obter um estatuto de excepção para cidadãos que são iguais a todos os outros. Excepto naquilo que fazem no domínio da sua vida privada. O que dispensa, por definição, a necessidade da existência de provedores, de curadores, ou, muito menos, de quem os "defende" só por razões de cálculo político.