Albert Cossery
Os Homens Esquecidos de Deus (1940)
A investigação policial deu origem a uma descoberta sensacional. Não a do assassino, que não tardou, mas uma descoberta de outro interesse, profundamente humana. O vendedor de hortaliça tinha sucumbido, ao que parece, sob a pressão fortíssima de um penico em Terracota que lhe atirou à cabeça, da janela do seu pardieiro, Radwan Aly, o homem mais pobre do mundo. A profunda humanidade do acontecimento residia no seguinte: o penico com que Radwan Aly tinha atingido o vendedor era o único bem, o único móvel da sua casa, e não hesitara em sacrificá-lo para salvaguardar o sono de toda a rua. Perante um tal sentido do sacrifício, até os próprios polícias ficaram confundidos.
A Casa da Morte Certa (1944)
Parecia que a casa, não contente por desabar, encerrava, nas suas profundezas, um espírito doentio que alimentava a perturbação das almas. Com o seu silêncio hostil, Rachwan Kassem exercia uma influência oculta verdadeiramente devastadora. A todos quantos o foram ver tinha oferecido o espectáculo de um homem submetido às piores dores, congeminando vinganças inflexíveis e tenazes. A atitude enquadrava-se com a personagem, mas, desta vez, ultrapassava as medidas. Chegaram a odiá-lo e a desejar a sua morte imediata, a fim de poderem respirar.
Se o mundo se transformou numa coisa mal-humorada, isso deve-se, sem dúvida, ao facto de agora ser preciso muito dinheiro para viver. A vida é muito simples, mas tudo conspira para a tornar complicada. É quando nos vemos livres da ambição do dinheiro, do orgulho ou do poder que a vida se revela formidável.» A mandriice, longe de ser um defeito, é cultivada como uma flor rara e preciosa pelas personagens deste livro. Galal, o filho mais velho, é considerado o mais sábio de todos porque passa a vida na cama desde há sete anos e só se levanta para ir à mesa. Rafik, o do meio, renuncia a casar-se com a mulher que ama temendo que ela perturbe para sempre a doce sonolência que reina lá em casa. Como terá Serag, o mais novo, a loucura de ir trabalhar para a cidade? Porque a verdade é esta: o trabalho só pode engendrar desordem e desgraça.
Mendigos e Altivos (1955)
Por intermédio da personagem central, Gohar, ex-professor universitário de Literatura e Filosofia, mendigo por decisão própria, conduz-nos a uma visão do mundo civilizado, enquanto inutilidade orgânica, num explosivo cocktail de escárnio e reflexão.
A Violência e o Escárnio (1964)
Numa cidade do Próximo Oriente, governada por um tirano grotesco, um pequeno grupo de contestatários, trocistas e cépticos, decide combatê-lo pondo-o a ridículo. Para isso, espalham por toda a cidade um belo cartaz contendo o retrato do governador e um texto tecendo os maiores louvores à sua acção governativa. Inventam assim uma nova forma de acção política...
Uma Conjura de Saltimbancos (1975)
Todos os países tinham o seu contigente de imbecis, de sacanas e de putas. Era preciso ser um débil mental para acreditar que se passavam coisas importantes noutros lados. A única diversidade era a da linguagem e a única novidade era que os mesmos imbecis, sacanas e putas se exprimiam numa língua diferente. Medhat recusava-se a absolver a aberração dos que aprendiam toda a espécie de idiomas estrangeiros a fim de penetrar o sentido das mesmas palermices que podiam ouvir na sua terra, sem precisar de se deslocar e gratuitamente. Pela sua parte, nunca se sentira tentado a percorrer o planeta à procura se sensações ditas transcendentes por se situarem em hemisférios distantes. De que servia mudar de continente, aspirar a outros climas, se não se conseguia ver, em primeiro lugar, o que se passava à nossa volta?
Uma Ambição no Deserto (1984)
O xeque Ben Kadem, Primeiro-ministro do emirado de Dofa, interroga-se sobre como conseguir um papel na cena internacional, encontrando-se ele à frente de um Estado miserável, completamente eclipsado pelos Estados vizinhos, produtores de petróleo. Inventa um estratagema: simular atentados à bomba, reivindicados por uma denominada Frente de Libertação fantasma. Tal medida corre o risco de fazer despertar a simpatia por parte de movimentos revolucionários internacionais e a inquietação dos grandes poderes tutelares. Para executar o seu plano, recorre a um jovem aventureiro, Shaat, que retira da prisão onde este cumpria pena por tráfico de ouro. Shaat passa a fabricar as bombas que Mohi se encarregará de fazer explodir. Mas o controlo desta falsa vaga de terrorismo escapa ao Primeiro-ministro, e Mohi - nem mais nem menos do que o seu próprio filho - é morto pela explosão prematura da bomba que transporta.
As Cores da Infâmia (1999)
O que mais agradava Ossama era contemplar o caos. De cotovelos apoiados no corrimão da passagem aérea cujos pilares metálicos rodeavam a praça de Tahrir, ruminava ideias atrevidamente contrárias aos discursos propagados pelos pensadores oficiais, os quais garantiam que a paternidade de um país estava subordinada à ordem. O espectáculo que tinha diante dos olhos condenava sem apelo essa afirmação imbecil. Desde há algum tempo que aquela construção, imaginada por engenheiros humanistas para evitar aos infelizes peões os perigos da rua, lhe servia de observatório panorâmico, reforçando a sua íntima convicção de que o mundo poderia continuar indefinidamente a viver na desordem e na anarquia.
Conversas com Albert Cossery (1995)
O escritor egípcio Albert Cossery conversou durante horas com Michel Mitrani das origens da sua obra e das influências e amizades literárias que atravessaram a sua vida. Nascido em 1913, Albert Cossery vive, desde 1945, em França onde publicou a maior parte dos seus livros. Os escritos de Cossery lançam um forte desafio à preguiça e à reflexão neste mundo de superprodutividade. Com o seu incomparável olhar sobre os costumes e atitudes contemporâneos, Cossery convida o leitor ao despojamento e ao riso como forma de subverter os valores dominantes, que alienam e oprimem as mulheres e os homens do nosso tempo.





Boníssimo ambiente do dirigente dominar e cavaquear com a figura do bailéu de anteriormente, lobriga pelo espelho, sem que se tenha de converter. O que a encaminhar é chato.
Como ensinamento administra para retocar a pintura no meio do trânsito, Calha sempre bem ter um bom ar da Egitania.
Serve essa imagem igualmente para ir dando uma vista de olhos sobre quem vem na quarenta atrás, nunca se sabe onde se pode encontrar a princesa encantada.
Os artesãos servem-se deste exemplar para olhar para a cara de quem vem no tal carretel após e acção em aceno pouco faladores e coisas afins, e se virem uma "gaja": mandar piropo muito aflito!
Ah, e agrada também para carrear em afoiteza. Na limite em que anui uma fantasia ajuizada do trânsito que vem atrás da dependência e assim atribuído ao pára-raios estar sempre alerta.