A Aversão (sinopse)
Sem ser jovem, frequenta um círculo de pessoas fotogénicas e endinheiradas que não perdem uma oportunidade para apareceram na Imprensa de sala-de-espera de dentista. Ela lidera mesmo um processo que chama “ restaurar a vida social de Lisboa”.
A certo ponto, conhece o Director de um jornal da antiga e prestigiada Imprensa nacionalizada que se conseguiu equilibrar, como principal Executivo da Empresa, no mercado livre, de tal modo que o Jornal funciona como uma espécie de Instituição oficiosa do Estado, onde o emprego e a gestão se assemelham aos de uma Repartição.
O Director, vindo duma classe média, laboriosa e republicana, passa assim das “tainas da Presidência da República”, em dias aprazados, para uma vida social intensa onde mulheres-raparigas o deixam à beira de uma crise de idade. Aí, o Director conhece uma antiga colega da Escritora com quem alimenta primeiro o despeito que partilham ambos pelas arrogâncias desta e com quem se envolve depois sentimentalmente. Esta mulher, mais ou menos trágica e semi-alcoólica, não deixa por isso de ser atraente e a sua ingenuidade actua como um formol dentro do qual a degradação da carne e do espírito pararam.
A pretexto de um projecto de triagem rotineira da literatura de cordel, mais ou menos promovida nas classes altas, o Director resolve encomendar uma série de artigos a um profissional do jornalismo venenoso, daqueles ainda encalhados na nostalgia da Revolução, com os quais pretende ridicularizar a Escritora.
Os artigos acertam tão bem no alvo, que a Escritora se vê ridicularizada em público e entra em depressão, passando depois a um estado de obsessão vingativa.
O Director, saciado com o primeiro efeito, passara depois o assunto para um jovem estagiário com pretensões literárias e lá vai progredindo despreocupadamente na sua nova vida social. A relação sentimental com a semi-alcoólica é-lhe consentida por esta, por inércia e devido à aversão da Escritora, que a detesta desde menina.
Após uma breve investigação, a Escritora, determinada a não se deixar ridicularizar, descobre por intermédio de um amigo solteirão, bem instalado no mundo Académico e na Política e que sempre alimentou uma paixão frustrada por ela, quem é o jovem estagiário a espetar-lhe farpas, bem como a arrastar os seus romances pela lama. Vai mesmo ao ponto de, oportunamente, se relacionar com uma colega do rapaz, uma jovem mãe, com quem este tem uma relação de amizade cada vez mais equívoca.
Depois de tentar recorrer, sem êxito, aos conhecimentos marginais do marido, do tempo da Contra-revolução, para pregar uma partida ao rapaz, acaba por encomendar o “trabalhinho” a dois primos cabo-verdianos da criada. A coisa corre tão mal que o rapaz, suposto ser alvo duma “barrela” para que fosse obrigado, na sequência, a pedir ajuda numa casa vizinha, onde a Escritora, as amigas e os fotógrafos da Imprensa de quiosque o esperavam, chega atrasado e encontra-as, a ela e às amigas, por sua vez assaltadas e abusadas. Um dos cabo-verdianos decidira, à última hora, assaltar quem lhe encomendara o trabalhinho. É que a criada cabo-verdiana, mulher decidida, convencera-se que a Patroa estava possessa e fê-lo sentir aos primos: a Patroa precisava de um exorcismo que ele administrou ao seu modo.
A Escritora, presumivelmente violada e em estado traumático, teve de recolher ao hospital para exames. Tendo a criada sido presa por cumplicidade e permanecendo o agressor a monte, a Escritora, depois de se restabelecer, exige ao amigo solteirão que lhe arranje dois marginais competentes para, desta vez, fazer mais que uma simples “barrela” ao rapaz.
O amigo solteirão, desesperado, lá lhe faz a vontade e o rapaz, num dia preguiçoso, é alvo de uma tentativa séria de assalto, à saída da Redacção do jornal.
Ora a jovem mãe, colega do rapaz e, ao contrário deste, mais bem sucedida no Jornal, onde o Director acabara por desviar as forças mobilizadas pela Escritora e pelo seu amigo solteirão, contra o estagiário (erigindo-o como bode expiatório da campanha difamatória) ia a sair naquele preciso momento. Sem pensar, interpõe-se, quase inconscientemente, entre os assaltantes e o rapaz.
Após ter sido envolvida e tentada com a promoção social que a Escritora, entretanto lhe oferecera para saber os movimentos de quem continuava a ridicularizá-la, esta jovem mãe assume, naquele momento inesperado, o sentimento mais do que ternura que alimentava pelo seu desafortunado colega e leva com a facada que era dirigida ao rapaz.
Pouco depois, no carro onde ele e os colegas correm com a jovem mãe para o hospital, ela esvai-se em sangue e compreendem ambos por fim, o sentimento que os unia há muito tempo. Mas tarde demais...


Boníssimo ambiente do dirigente dominar e cavaquear com a figura do bailéu de anteriormente, lobriga pelo espelho, sem que se tenha de converter. O que a encaminhar é chato.
Como ensinamento administra para retocar a pintura no meio do trânsito, Calha sempre bem ter um bom ar da Egitania.
Serve essa imagem igualmente para ir dando uma vista de olhos sobre quem vem na quarenta atrás, nunca se sabe onde se pode encontrar a princesa encantada.
Os artesãos servem-se deste exemplar para olhar para a cara de quem vem no tal carretel após e acção em aceno pouco faladores e coisas afins, e se virem uma "gaja": mandar piropo muito aflito!
Ah, e agrada também para carrear em afoiteza. Na limite em que anui uma fantasia ajuizada do trânsito que vem atrás da dependência e assim atribuído ao pára-raios estar sempre alerta.